A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) interrompeu o serviço de atendimento ao cliente pelo disque 167 por causa do contingenciamento orçamentário sofrido em junho deste ano.
A suspensão pode beneficiar empresas por eliminar avaliações negativas, afirma o sindicato de agências reguladoras.
Consumidores que ligavam para o disque 167 ouviam a seguinte mensagem: “A Agência Nacional de Energia Elétrica informa que este serviço encontra-se suspenso em razão das restrições orçamentárias sofridas. Em algumas semanas este canal de atendimento será restabelecido”.
Procurada, a agência confirmou a suspensão temporária do serviço e atribuiu a interrupção ao contingenciamento orçamentário sofrido em junho deste ano.
“Com esse bloqueio, o orçamento da Aneel para 2025 foi reduzido ao patamar de 2016, totalizando R$ 117 milhões. Essa limitação trouxe diversas consequências, entre elas a interrupção do atendimento telefônico por meio do número 167”, indicou.
Segundo a agência, para amenizar os impactos do contingenciamento e evitar demissões imediatas foi tomada a decisão de conceder férias coletivas aos teleoperadores.
No final de julho, houve o descontingenciamento parcial do orçamento da agência, reduzindo o bloqueio de R$ 38,6 milhões para R$ 7,9 milhões, continua a nota. “Essa liberação de mais de R$ 30 milhões permitirá a retomada gradual de atividades essenciais, incluindo o serviço de teleatendimento. Dessa forma, o canal 167 será restabelecido normalmente no dia 30 de agosto, após o término do período de férias coletivas.”
A interrupção foi criticada pelo Sinagências (Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Reguladoras), que afirma que a “asfixia fiscal é resultado direto da pressão por parte de lideranças do Congresso Nacional, em especial do Centrão, que exigem cortes de gastos do governo ao mesmo tempo em que bloqueiam iniciativas para ampliar a arrecadação por meio da taxação dos mais ricos.”
“A desativação do 167 silencia a voz da população, elimina avaliações negativas e cria um quadro artificialmente positivo para as empresas do setor. O resultado é a desmoralização da regulação e a perda de credibilidade da Aneel perante a sociedade”, diz.
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Fonte: Folha de São Paulo