Os deputados federal Luciene Cavalcante e estadual Carlos Giannazi e o vereador Celso Giannazi, todos do PSOL, fizeram uma representação no Ministério Público, nesta quarta-feira (7), após a Fundação Theatro Municipal não permitir à Flipei, festa literária de editoras independentes, usar a Praça das Artes.
Vinculada à Secretaria Municipal de Cultura, é a fundação quem gere os contratos do complexo cultural que reúne o teatro e o Paço das Artes. De acordo com a fundação, a Flipei não poderia ser realizada no equipamento público “em razão do uso político por parte de seus organizadores”.
Em nota, a fundação afirmou que, “no lugar de um festival para promover a literatura independente, de grande valia, a feira tinha em sua programação conteúdo exclusivamente de apelo ideológico, com indisfarçável viés eleitoral”.
Na representação, os psolistas pedem que seja instaurado inquérito para apurar o cancelamento da festa e as eventuais responsabilidades do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do secretário de Cultura, Totó Parente.
Segundo os parlamentares, o cancelamento do evento trouxe prejuízos às editoras e fere os direitos da liberdade de expressão, à cultura e ao pluralismo político.
Ao Painel o prefeito havia dito que não acompanhou o imbróglio. “Parece que a OS [organização social] não poderia ter cedido o espaço público sem a anuência da fundação e o conteúdo não era sobre literatura, mas mais questões ideológicas. Acho que foi por isso que cancelaram”, disse Nunes.
Os organizadores afirmam que o cancelamento seria uma retaliação por duas participações previstas no evento: de Pappe, crítico do governo Binyamin Netanyahu no conflito de seu país contra o Hamas, e do ativista Thiago Ávila, brasileiro detido por Israel em junho.
Como a Folha mostrou a Flipei foi transferida para outros endereços, como o Galpão Elza Soares, o Armazém do Campo e o Sol y Sombra.
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Fonte: Folha de São Paulo