Presidente da Câmara dos Deputados de 2005 a 2007, o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo critica a obstrução feita por bolsonaristas para pressionar pela votação da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro, em motim que inviabilizou os trabalhos legislativos na Casa por 30 horas.
“Eu fiquei contra esse negócio aí de obstruir”, afirma Aldo. “Porque, se essa moda pega, quem quiser qualquer coisa contra, é só obstruir. Por que a obstrução vai ser para um e para os outros, não?”, questiona.
Ele diz que impedir a votação de qualquer matéria sentando na cadeira do presidente não é “meio de vida”.
“Isso libera a anarquia institucional completa. Perde completamente o papel da Câmara. Não tem mais Presidência”, afirma. “Qualquer um que sentar ali obstrui. Eu não vejo sentido nisso, sinceramente.”
Com trajetória de esquerda, o ex-deputado fez carreira no PCdoB, mas nos últimos anos se aproximou de políticos bolsonaristas por suas visões críticas à atuação de ONGs ambientais e contra a regulação das redes. Ele nega que tenha aderido à direita, no entanto, e diz que tem viés nacionalista.
No movimento, parlamentares da oposição ocuparam as mesas dos plenários da Câmara e Senado na terça-feira (5), impedindo a realização de sessões. Em esquema de revezamento, eles passaram a madrugada no local, que foi isolado pela polícia legislativa, com permissão de entrada apenas de parlamentares.
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Fonte: Folha de São Paulo