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Comunista Jones Manoel ocupa vácuo e viraliza – 25/08/2025 – Encaminhado com Frequência


Entre os maiores nomes da política brasileira nas redes sociais, a direita ainda reina quase sozinha.

Jair Bolsonaro continua como líder absoluto no Instagram, com mais de 27 milhões de seguidores, mas já não cresce no mesmo ritmo de antes. O protagonismo hoje está com Nikolas Ferreira, que ocupa a segunda posição entre os perfis políticos da rede. Ao seu lado, Eduardo e Flávio Bolsonaro seguem relevantes, enquanto Tarcísio de Freitas se consolida como alternativa bolsonarista. Entre os dez mais seguidos, apenas Lula aparece como representante da esquerda.

Mas, quando o critério é crescimento —e não apenas tamanho—, a surpresa vem justamente da esquerda. Nos últimos 90 dias, quem mais ganhou seguidores foi Jones Manoel, ex-candidato ao Governo de Pernambuco pelo PCB: mesmo apresentando-se abertamente como marxista-leninista e comunista, sem partido nem mandato, cresceu mais de 1 milhão de novos seguidores, superando a alta de Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro e até do próprio Lula. Nesse período, foi o perfil relacionado à política que mais cresceu no Instagram, lado a lado apenas de nomes da direita, como Nikolas Ferreira, Zé Trovão e Allan dos Santos.

No monitoramento da Palver em tempo real de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp, onde se captura o debate mais cotidiano, o cenário ainda é parecido. Excluindo Lula e Bolsonaro, os nomes mais mencionados nos últimos 90 dias foram Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Fernando Haddad.

Depois aparecem, em menor escala, Cleitinho, Erika Hilton, Damares Alves e o próprio Jones Manoel. Esses números, embora menores, revelam quem consegue furar a bolha e permanecer no radar do debate cotidiano. O contraste, porém, é claro: enquanto a direita sustenta uma constelação de lideranças lembradas com frequência, a esquerda ainda surge de maneira tímida e fragmentada.

É nesse vácuo que Jones Manoel desponta como figura em ascensão da esquerda digital. Seu crescimento tem como base uma estratégia multiplataforma com intenção deliberada de “furar a bolha”: participar de podcasts conservadores, como Três Irmãos e Inteligência Ltda, e aceitar debates diretos com figuras como Kim Kataguiri e Fernando Holiday.

O ponto de virada veio no confronto com o influencer Wilker Leão no fim de maio, debate que viralizou após repercussão negativa da performance de Wilker. Em julho, o crescimento se acentua com a viralização de cortes do debate entre Jones Manoel com 20 conservadores no canal Spectrum.

Com a participação periódica em debates e confrontos com representantes da direita na internet, Jones conseguiu produzir “picos de engajamento” que mantêm sua imagem relevante e em crescimento no debate digital. Por não se alinhar ao governo Lula, consegue enfrentar conservadores acostumados a atacar apenas o PT. Jones chama essa tática de “guerrilha digital”: expor-se em ambientes hostis e converter embates em conteúdo potencialmente viral e cortes.

Se Jones Manoel cresce pela disposição de entrar em debates e confrontar adversários, Nikolas Ferreira representa a habilidade oposta: expandir sua base sem se expor ao risco do confronto. É, hoje, um dos políticos mais habilidosos no uso das redes sociais.

Sua estratégia está em vídeos direcionados, produzidos para viralizar sem que precise participar de embates diretos. Foi vetor central da difusão de narrativas como a crise do Pix e atuou como comunicador de peso em pautas como IOF e INSS. Esse domínio das redes o consolidou como herdeiro digital do bolsonarismo. Nas últimas semanas, porém, sua relevância tem oscilado diante dos embates com Eduardo Bolsonaro, numa disputa interna pelo protagonismo da direita.

A direita ainda domina o ecossistema digital, com múltiplas lideranças, presença constante e maior capacidade de viralizar suas pautas. A esquerda segue fragmentada e discreta, e nomes emergentes ainda não demonstraram fôlego comparável. Experiências recentes, como a de Jones Manoel, sugerem caminhos possíveis para disputar atenção e narrativas, mas é necessário tempo para entender se esse tipo de crescimento conseguirá se sustentar em um ambiente ainda amplamente controlado pela direita.


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Fonte: Folha de São Paulo

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