Depois do 7 a 1 sofrido na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das fraudes nos descontos associativos do INSS, governistas avaliam estratégias para minimizar o desgaste que se avizinha, entre elas tentar trocar o relator, o bolsonarista Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).
O perfil de Gaspar causou preocupação em integrantes do governo. A dobradinha do deputado com o presidente eleito do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), foi descrita como um “cenário dramático” por parlamentares governistas.
Um membro influente do centrão definiu Gaspar como um deputado “sem líder e sem prefeitos” —ou seja, ingovernável. Também lembrou que ele tem mais de 20 anos de atuação como promotor. Definiu-o como “um nome aterrorizante”.
Ao longo da tarde, parlamentares governistas consultaram técnicos legislativos para analisar a viabilidade de substituição do relator. No entanto, a medida é avaliada por eles mesmos como arriscada, pois criaria “um cenário de guerra” no colegiado.
Além disso, a contabilidade inicial da liderança governista —e que caiu por terra pelo menos na instalação da CPMI— é de que haveria um placar de 19 a 13 a favor do Planalto no colegiado. Com isso, seria possível blindar minimamente o governo, seja barrando requerimentos indesejados ou, no final, derrotando um relatório negativo.
No Ministério da Previdência, o ministro Wolney Queiroz minimizou o cenário adverso na CPMI e afirmou esperar que a condução dos trabalhos tenha foco no interesse público. “Confio que o presidente da CPMI será alguém que vai blindá-la dessa guerra ideológica que está em curso”, afirmou.
“Minha expectativa é que o relatório seja construído de forma técnica e equilibrada”, complementou, ressaltando que vai dar transparência total na disponibilização dos dados do ministério, “independentemente de quem seja o relator ou presidente da CPMI.”
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Fonte: Folha de São Paulo